Liderança e ESG: quem está defendendo a sustentabilidade contra os retrocessos?
- Adriano Augústto
- 24 de mar.
- 5 min de leitura
Atualizado: 27 de mar.
Nos últimos meses, o cenário ESG global tem passado por momentos contraditórios. Enquanto a União Europeia propõe afrouxar regras ambientais e sociais, justificando que as exigências poderiam prejudicar a competitividade das empresas, algumas lideranças empresariais seguem reafirmando o compromisso com a sustentabilidade, a diversidade e a governança responsável.
Em tempos de incerteza, posicionamentos firmes como os da Natura, do bilionário Michael Bloomberg, do CEO da McKinsey e do Grupo Boticário mostram que a agenda ESG não pode ser tratada como uma mera tendência passageira, mas como um compromisso inegociável para o futuro dos negócios e da sociedade.

O alento das empresas que não recuam
Se, por um lado, vemos retrocessos regulatórios, por outro, há empresas e líderes que seguem firmes no compromisso com ESG. Um exemplo é a Natura, que recentemente se posicionou publicamente contra os recuos da agenda ESG: “Não há mais tempo para retrocessos”.
A empresa, reconhecida globalmente por sua atuação sustentável, continua defendendo uma economia de baixo carbono e a preservação da biodiversidade, reforçando que ESG não é um modismo, mas um pilar estratégico de longo prazo.
Outro nome que se destaca é o bilionário Michael Bloomberg, ex-prefeito de Nova York, que tem investido fortemente na agenda climática, mesmo diante das pressões contrárias. Sua fundação, Bloomberg Philanthropies, destinou bilhões de dólares para ações voltadas à transição energética e à redução de emissões de carbono, demonstrando que o compromisso com a sustentabilidade não pode depender de ciclos políticos ou mudanças regulatórias.
O engajamento não para por aí...
O CEO da McKinsey também se posicionou recentemente, reafirmando que a diversidade e a meritocracia diversa seguirão sendo prioridades para a empresa, independentemente das mudanças de direção em algumas corporações globais. O compromisso da consultoria com inclusão e equidade mostra que grandes organizações podem (e devem) manter suas diretrizes ESG mesmo diante de pressões externas.
Outro exemplo de liderança que se mantém firme na agenda ESG é Artur Grynbaum, CEO do Grupo Boticário. Em recente entrevista, ele foi categórico ao afirmar: “ESG é convicção, não tem como mudar”. Para ele, a agenda ESG é uma evolução da governança e das práticas empresariais responsáveis, não uma tendência passageira. O Grupo Boticário tem reforçado seu compromisso com metas ambientais e sociais, incluindo o avanço na economia circular e o apoio a cadeias produtivas mais sustentáveis.
O ESG continua sendo prioritário
Apesar de comunicados recentes da União Europeia sugerindo um abrandamento regulatório em certas áreas, a tendência global nos últimos anos aponta para um aumento no rigor das legislações ESG. A própria União Europeia tem implementado sanções significativas, como o acordo sobre diminuição de embalagens descartáveis e obrigatoriedade de reciclagem de plástico.
Governos de diversos países continuam a estabelecer normas mais restritivas relacionadas a emissões de carbono, direitos trabalhistas e transparência ambiental. No Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) determinou que, a partir de 2026, todas as companhias abertas deverão divulgar relatórios de sustentabilidade alinhados aos padrões internacionais do International Sustainability Standards Board (ISSB). Essa medida reforça o compromisso do mercado brasileiro com práticas ESG, mesmo diante de pressões contrárias.
A ótica dos consumidores
Além disso, os consumidores estão cada vez mais atentos às práticas ambientais e sociais das empresas. Marcas que adotam posturas sustentáveis e socialmente responsáveis conquistam maior lealdade de seus clientes. Um estudo conjunto da McKinsey e da NielsenIQ revelou que produtos com alegações relacionadas a ESG representaram 56% do crescimento total das vendas nos últimos cinco anos, indicando que os consumidores estão dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis e socialmente responsáveis.
Outro ponto relevante é o impacto da agenda ESG na retenção de talentos. As gerações mais jovens, especialmente millennials e a Geração Z, demonstram uma clara preferência por empresas comprometidas com práticas sustentáveis e inclusivas. Estudos indicam que organizações que seguem diretrizes ESG conseguem manter profissionais mais satisfeitos em suas posições.
Empresas que não se adaptam a essa nova realidade enfrentam desafios não apenas na atração de clientes, mas também na retenção de profissionais qualificados. Portanto, integrar práticas ESG de forma genuína e transparente tornou-se essencial para a competitividade e sustentabilidade dos negócios no cenário atual.
A liderança como pilar do ESG: compromisso para evitar retrocessos
Diante do cenário atual, onde vemos avanços regulatórios sendo questionados e pressões contrárias ao ESG surgindo, torna-se ainda mais evidente a importância de uma liderança comprometida e estratégica para garantir que a agenda ESG continue avançando. Empresas que não apenas adotam práticas sustentáveis, mas integram esses princípios em sua cultura organizacional e modelo de negócios, são as que demonstram maior resiliência e competitividade a longo prazo.
No episódio do podcast Conecta ESG, com Danilo Nogueira, Diretor Geral da AB Mauri Brasil, a conversa girou em torno de um ponto essencial: uma estratégia ESG sólida só se sustenta com o envolvimento ativo da alta liderança. Danilo compartilhou sua experiência na implementação da agenda ESG dentro da empresa, destacando que o engajamento da liderança é o que transforma iniciativas isoladas em uma cultura organizacional integrada e duradoura.
Um dos aprendizados mais valiosos da experiência da AB Mauri é que o ESG não pode ser tratado como um setor ou uma área separada dentro da empresa, mas sim como uma abordagem estratégica que permeia todas as decisões de negócio. Desde a formação de um comitê ESG até a consolidação desses princípios na governança corporativa, a empresa entendeu que não basta apenas aderir ao ESG — é preciso liderá-lo, direcionando ações concretas e mensuráveis.
Para além do lucro
Danilo ressalta uma constatação fundamental: o papel das empresas na sociedade vai muito além de gerar lucro. Ele enfatiza que o compromisso com a sustentabilidade, a equidade e a transparência deve ser uma convicção, e não apenas uma resposta às pressões do mercado ou da legislação. Empresas que assumem essa responsabilidade não apenas mitigam riscos, mas também criam valor de longo prazo para seus stakeholders, fortalecem sua reputação e garantem sua relevância no futuro.
Os exemplos de líderes que seguem firmes na agenda ESG, como Artur Grynbaum (Grupo Boticário) e Michael Bloomberg, reforçam que o verdadeiro diferencial de uma organização não está apenas em atender às exigências regulatórias, mas em adotar um posicionamento claro e proativo diante dos desafios ambientais e sociais.
Quer saber mais sobre esse episódio e como a AB Mauri Brasil transformou sua jornada ESG? Confira no link abaixo.
A necessidade de um compromisso proativo com o ESG
Em um cenário onde investidores priorizam o lucro acima de tudo, não basta não ser contra o ESG; é preciso ser proativo na sua implementação.
Inspirando-se na reflexão de Angela Davis: “Numa sociedade racista, não basta não ser racista, é preciso ser antirracista”, no contexto corporativo atual, é imperativo que líderes e empresas adotem uma postura ativa em relação ao ESG. Não basta apenas evitar práticas prejudiciais; é necessário promover ativamente a sustentabilidade, a inclusão e a governança responsável.
As ações e posicionamentos de líderes citados neste artigo exemplificam como o compromisso proativo com o ESG pode gerar impactos positivos significativos, tanto para as organizações quanto para a sociedade como um todo.
Em tempos de possíveis retrocessos, a liderança consciente e engajada torna-se essencial para assegurar que a agenda ESG continue avançando, promovendo um futuro mais sustentável e equitativo para todos.
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